O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, a proibição da entrada de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no território brasileiro. A decisão ocorre após o Ministério das Relações Exteriores revogar o visto do norte-americano, que tinha viagem programada para a próxima semana com o intuito de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A medida foi confirmada pelo Itamaraty, que alegou irregularidades no pedido de entrada do diplomata estrangeiro e seguiu orientações sobre a conveniência política da visita.
Durante a inauguração de uma unidade de saúde no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo condicionou o ingresso de Beattie à liberação dos vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de seus familiares, cancelados pelas autoridades norte-americanas em agosto de 2025. Em seu discurso, Lula foi enfático ao abordar a questão da reciprocidade diplomática e a proteção de seus ministros. “Aquele cara americano que disse que vinha pra cá visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar”, declarou o presidente. Ele complementou a determinação afirmando: “E eu o proíbo de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que tá bloqueado.”
Justificativa legal e decisão do supremo
A tentativa de encontro entre o assessor de Donald Trump e Jair Bolsonaro passou pela análise do Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes indeferiu o pedido de visita após receber um ofício do chanceler Mauro Vieira. O documento da diplomacia brasileira alertava que a presença de um funcionário de Estado estrangeiro em reunião com um ex-presidente cumprindo pena poderia caracterizar uma “indevida ingerência” nos assuntos internos do país. Além disso, o Itamaraty sustentou que houve “omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto”, o que fundamentou legalmente a revogação do documento de entrada.
Darren Beattie, que atua na área política do Departamento de Estado para o Brasil desde fevereiro, havia solicitado ingresso no país omitindo a intenção de ir à unidade prisional. Segundo informações oficiais, o visto concedido inicialmente destinava-se a compromissos privados e à participação em um fórum em São Paulo, sem registro de agenda diplomática oficial prévia. A defesa de Bolsonaro chegou a solicitar datas excepcionais para o encontro na Papudinha, alegando incompatibilidade de agenda do visitante, mas o cancelamento do documento de viagem pelo governo brasileiro encerrou a possibilidade da reunião presencial na capital federal.
Reciprocidade e histórico de sanções
O impasse diplomático reflete tensões recentes envolvendo a circulação de autoridades entre os dois países. O ministro Alexandre Padilha teve sua autorização de entrada nos Estados Unidos revogada no ano anterior, medida que também atingiu sua esposa e filha de dez anos. Beattie, conhecido por ser um escritor conservador e ex-redator de discursos de Trump, já havia tecido críticas públicas à atuação do judiciário brasileiro anteriormente. Com a barreira imposta pelo governo federal, a vinda do assessor permanece vetada até que haja uma resolução sobre as restrições aplicadas ao integrante do primeiro escalão brasileiro.

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