O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira que a Polícia Federal abra um inquérito sobre possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A investigação vai apurar suspeitas de financiamento oculto de campanhas políticas e atuação ilícita de agentes externos.
A medida atendeu a um pedido do PT no âmbito de uma ação apresentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Segundo Dino, as denúncias sobre condutas internacionais não devem tramitar na ação original, mas exigem um inquérito próprio, alinhando-se a alertas anteriores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Investigações sobre financiamento e redes digitais
Entre os episódios citados na decisão está a atuação dos executivos Tallis Gomes e Pedro Sang, que teriam operado pela empresa Rockbridge Network para captar recursos nos Estados Unidos em favor da campanha do candidato Flávio Bolsonaro.
Além disso, o ministro apontou a contratação de anúncios pagos em perfis estrangeiros voltados ao público brasileiro. Essas publicações promoviam dados da plataforma de apostas Polymarket, bloqueada no Brasil. O caso foi denunciado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por Renan Santos, do movimento Missão.
Falhas de plataformas e relatórios internacionais
O despacho do STF também menciona um relatório do Comitê de Supervisão da Meta e alertas da Organização das Nações Unidas (ONU). Ambos os documentos indicaram falhas na integridade eleitoral e disparidades na distribuição de conteúdos de candidatos por meio de algoritmos e inteligência artificial.
Minerais críticos e eixos da apuração
Outro ponto crítico é a suspeita de oferta de concessões para exploração de terras raras no Brasil em troca de apoio político internacional. Dino ressaltou que os recursos minerais pertencem à União e exigem rigor na apuração de eventuais propostas ilícitas.
Por fim, a Polícia Federal deverá focar nas seguintes frentes:
- Relações entre a Rockbridge Network, empresários e campanhas políticas;
- Identificação e origem financeira dos responsáveis por anúncios eleitorais em contas do exterior;
- Vínculos entre o financiamento eleitoral e o interesse econômico em terras raras;
- Averiguação de assimetrias e manipulações algorítmicas por empresas de tecnologia.
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