Um levantamento recente sobre planos de governo mostra como as propostas voltadas para mulheres aparecem nas candidaturas presidenciais. A análise do Instituto Update revela que os temas centrais giram em torno de violência, saúde e cuidado.
Apesar de reconhecerem demandas urgentes, os textos falham ao incluir o público feminino como agente decisório. Questões ligadas à autonomia e à segurança pública urbana ganham menos destaque nas diretrizes avaliadas.
Segundo Carol Althaller, diretora executiva da instituição, os programas identificam os problemas, mas avançam pouco ao pensar a vivência cotidiana e a participação política de forma ampla.
Participação política
A pesquisa concluiu que as mulheres aparecem mais como destinatárias de políticas do que participantes do poder. Dados do próprio instituto mostram amplo apoio popular à representação feminina.
Porém, propostas focadas no combate à violência política de gênero e na formação de lideranças ainda são escassas entre a maioria dos candidatos analisados.
Violência contra as mulheres
O tema mais disseminado nos planos é o enfrentamento à violência. Cerca de 75% dos documentos trazem medidas de proteção, feminicídio ou apoio às vítimas.
Contudo, poucas propostas conectam a segurança feminina à mobilidade urbana, ignorando o medo relatado por muitas cidadãs ao circular pelas cidades à noite.
Autonomia econômica
A autonomia econômica surge em pouco mais da metade dos programas avaliados. Há divergências sobre os caminhos para alcançar a igualdade, indo de políticas públicas a incentivos ao crédito.
Políticas de cuidado
O cuidado e o acesso a creches aparecem como fundamentais para a vida social e econômica. A discussão central gira em torno do papel do Estado na redução da sobrecarga doméstica.

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