Uma publicação do MADE, ligado à Faculdade de Economia da USP, apresenta um novo alerta de recessão capaz de apontar retrações econômicas com mais agilidade no Brasil. A metodologia adapta a famosa Regra de Sahm às especificidades das estatísticas ocupacionais do país.
Segundo o pesquisador Guilherme Klein, docente na UFRJ e um dos autores do trabalho, a ferramenta foi projetada para atuar como um aviso antecipado. A intenção é dar tempo aos gestores públicos para agir preventivamente. O indicador avalia as taxas de ocupação recentes e as compara com o ponto mais baixo do ano anterior.
Adaptação para o cenário brasileiro
Para obter precisão no contexto nacional, a equipe ajustou o cálculo levando em conta a elevada informalidade, que atinge mais de um terço dos trabalhadores. Com a alteração, o limite para disparar o aviso baixou para 0,3 ponto percentual, captando oscilações mais sutis no emprego.
A análise histórica desde 1980 revelou 14 ciclos recessivos e capturou com exatidão a crise gerada pela pandemia de covid-19, entre maio de 2020 e julho de 2021. Desde agosto de 2021, a ferramenta não registra novos alertas, marcando o período mais longo sem retração na série histórica.
Diferente do PIB, que possui apuração mais demorada, o Indicador MADE acompanha mensalmente o mercado de trabalho. Os dois sistemas funcionam de forma complementar para orientar a formulação de políticas públicas sem substituir os indicadores oficiais.

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