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Política

Abstenção nas urnas cresce devido à solidão e exaustão mental no Brasil

Levantamento inédito do Datafolha e Avaaz aponta que falta de vínculos comunitários afasta eleitores.

Redação
Por Redação
Abstenção nas urnas cresce devido à solidão e exaustão mental no Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A abstenção nas urnas no Brasil tem crescido ano após ano não apenas por desilusão com a política, mas devido a um quadro de exaustão e isolamento social. A revelação faz parte da Pesquisa Termômetro do Bem Viver, desenvolvida pela Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha.

De caráter inédito, o estudo conectou a escassez de laços comunitários e o afastamento da natureza com o desinteresse cívico. O levantamento identificou que cerca de 30 milhões de eleitores deixaram de comparecer aos pleitos recentes.

Por trás desse comportamento, os pesquisadores detectaram uma forte dependência digital e esgotamento mental. Em contrapartida, cidadãos com forte rede de apoio consideram a democracia um valor inegociável.

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Nana Queiroz, diretora do Projeto Desapocalíptica do Avaaz, explicou que esses indivíduos entram em um ciclo destrutivo. Eles utilizam a televisão e as redes sociais como formas de anestesia para combater o cansaço cotidiano.

A especialista destacou que as plataformas digitais mantêm os usuários isolados em bolhas ideológicas. Esse cenário alimenta uma cultura de hostilidade, fazendo com que o cidadão sinta culpa e perca a crença no poder de transformação coletiva.

O perfil dos eleitores desvinculados

Quase metade do grupo analisado (47%) foi rotulada como "desvinculada". Trata-se de pessoas que abandonaram o hábito de votar ou que comparecem raramente. A juventude lidera essa estatística.

Indivíduos entre 18 e 34 anos representam 44% dos desvinculados. Jornadas laborais extenuantes também reduzem o tempo livre para o lazer e a convivência, agravando o problema.

Caminhos para o Bem Viver

Para reverter esse quadro, o estudo recomenda a implementação de políticas públicas voltadas ao Bem Viver. Isso inclui facilitar o acesso à cultura, ampliar áreas verdes e melhorar a mobilidade urbana.

A pesquisa reforça que iniciativas de combate à dependência digital são urgentes. Para resgatar o interesse político, é preciso transformar a vida real do eleitor, mostrando que o voto gera impactos concretos.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

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