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Fim da escala 6x1 e a evolução histórica da jornada de trabalho no Brasil

Entenda como séculos de lutas sociais e mudanças constitucionais transformaram as regras de descanso e emprego no país.

Redação
Por Redação
Fim da escala 6x1 e a evolução histórica da jornada de trabalho no Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A recente promulgação da emenda constitucional que decreta o fim da escala 6x1 representa um marco histórico nas relações trabalhistas do Brasil. A nova regra garante dois dias de descanso semanal, coroando mais de um século de reivindicações populares por limites na jornada e por tempo livre para os trabalhadores.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostram que essa conquista coroa uma longa trajetória de transformações sociais no país.

Herança escravista e o trabalho livre

Antes do surgimento das leis de proteção ao operário, o Brasil sustentou sua economia por quatro séculos com base na exploração da mão de obra escravizada.

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Conforme aponta o TST, o modelo de trabalho livre e assalariado possui pouco mais de um século de existência em território nacional.

Essa longa raiz histórica ajuda a compreender a lentidão inicial na formulação de direitos e garantias fundamentais para a classe trabalhadora.

Primeiros passos e a luta operária

No alvorecer do século 20, operários começaram a se articular para exigir limites às exaustivas jornadas impostas pelos empregadores da época.

Registros do MTE indicam que, em 1912, a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT) já pedia a jornada de oito horas diárias e melhores condições gerais.

Institucionalização e a CLT

O aparelho estatal começou a responder a essas demandas em 1918 com o Departamento Nacional do Trabalho, seguido pelo Conselho Nacional em 1923.

Na década de 1930, a criação da pasta ministerial por Getúlio Vargas impulsionou a regulamentação do setor, culminando na fundação da Justiça do Trabalho em 1941.

Logo depois, em 1943, nasceu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), unificando as normas vigentes.

Da Constituição de 1988 ao descanso ampliado

Durante décadas, a carga horária máxima permitida era de 48 horas semanais no país.

A Constituição Federal de 1988 reduziu esse limite para 44 horas, preservando o teto diário de oito horas.

Agora, o fim da escala tradicional de seis dias altera o panorama em setores como comércio e serviços, ampliando o repouso remunerado.

Linha do tempo

Até 1888 – A economia apoiava-se no trabalho escravizado, sem garantias legais.

1912 – A CBT defende a jornada de oito horas.

1918 – Surgimento do Departamento Nacional do Trabalho.

1923 – Criação do Conselho Nacional do Trabalho.

1930 – Fundação do Ministério do Trabalho.

1941 – Instalação da Justiça do Trabalho.

1943 – Publicação da CLT.

1988 – A Constituição corta o limite semanal para 44 horas.

2026 – Promulgação da emenda que extingue a escala 6x1.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil 

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