O Governo de São Paulo expandiu em 87,6% a rede de atendimento especializado para vítimas de violência doméstica desde janeiro de 2023. Essa ampliação, que visa facilitar o acesso à justiça e proteção, elevou o número de unidades de 202 para 379. O fortalecimento das delegacias da mulher e salas especializadas busca acolher de forma mais ágil as vítimas em todo o território paulista.
Atualmente, a estrutura conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 235 Salas DDM. O suporte também é feito pela DDM Online e pelo aplicativo SP Mulher Segura, integrando canais físicos e digitais.
Em entrevista ao videocast SP POD, da Agência SP, a delegada Jamila Jorge Ferrari, titular da DDM Online, enfatizou a importância desses canais. Ela destacou que as ferramentas permitem buscar socorro de forma remota ou presencial, lembrando que a responsabilidade pelas agressões é exclusivamente do autor do crime.
“A culpa nunca é da mulher. Xingamentos, empurrões, agressões físicas e ameaças são crimes, e elas têm todo o direito de buscar ajuda”, declarou Jamila. A delegada explicou que a Polícia Civil capacita continuamente seus agentes para garantir um atendimento humanizado, essencial para romper o ciclo de violência.
https://youtu.be/TfYQFI72sPg
Aumento de registros e medidas protetivas
A ampliação dos serviços resultou em maior procura. No primeiro semestre deste ano, os boletins de ocorrência nas unidades físicas e virtuais cresceram 15,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já as solicitações de medidas protetivas de urgência registraram uma alta expressiva de 32,1% comparado ao mesmo período de 2025.
A plataforma DDM Online facilita o envio de provas por celular ou computador, aceitando fotos, áudios e prints de conversas. O sistema funciona 24 horas por dia com monitoramento constante. Durante a entrevista, a delegada relatou o caso de uma mulher em cárcere privado que conseguiu registrar apenas a palavra "socorro" no sistema, resultando na prisão do agressor armado.
Botão do pânico no aplicativo SP Mulher Segura
Lançado em março de 2024, o aplicativo SP Mulher Segura já registrou mais de 20,8 mil acionamentos do botão do pânico e 3,1 mil boletins de ocorrência. A ferramenta contava com 83,1 mil usuárias ativas até agosto de 2026, oferecendo alertas de aproximação para agressores monitorados por tornozeleira eletrônica.
Jamila citou um caso em que uma mulher acionou o botão do pânico após ser ameaçada em um show. O agressor fugiu ao perceber o acionamento, mas foi preso pela Polícia Civil em menos de dez horas por descumprimento de medida protetiva concedida pela Justiça.
Fortalecimento da rede de proteção
A rede de segurança conta com 1,6 mil policiais especializados, recebendo o reforço de 774 novos agentes desde 2023. O ecossistema de proteção inclui a Cabine Lilás, a Patrulha SP Mulher Segura e as Salas Lilás nos IMLs. Neste ano, mais de 10,9 mil homens foram presos por violência doméstica no estado.
Movimento SP por Todas
Essas iniciativas fazem parte do SP por Todas, programa transversal coordenado pela Secretaria de Políticas para a Mulher. O projeto articula ações de segurança, saúde, autonomia financeira e acolhimento. Para encontrar a unidade de atendimento mais próxima, acesse o portal oficial das delegacias da mulher paulistas.
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