Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma forte discussão nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF). O bate-boca ocorreu durante um julgamento sobre a possível abertura de investigação contra o próprio Moraes, elevando a tensão na corte.
Moraes afirmou que Mendonça teria exigido de investigadores da Operação Compliance Zero a inclusão de seu nome em uma delação premiada de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro é investigado por fraudes financeiras e corrupção de agentes públicos.
“Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes durante a sessão. Ele garantiu possuir testemunhas, entre policiais e advogados, que comprovariam o pedido de Mendonça para colocar seu nome na colaboração premiada.
Segundo o magistrado, a atitude teria motivações político-eleitorais. Moraes associou a conduta do colega a um grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Mendonça ao cargo no tribunal.
Em plenário, Mendonça rebateu as acusações com veemência e negou qualquer direcionamento no caso Master ou pedido envolvendo o nome de Moraes. “Isso é mentira!”, exclamou, afirmando que eventuais testemunhas estariam mentindo.
O decano da corte, Gilmar Mendes, também criticou Mendonça. Ele apontou motivações político-partidárias na decisão de levantar o sigilo de um relatório que vincula Moraes a Vorcaro.
Após o embate, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a sessão para o almoço. Os ministros retomam os trabalhos no período da tarde para continuar a análise do caso.
Mensagens sob suspeita
O relatório que menciona Moraes veio a público em 1º de setembro, após a quebra de sigilo determinada por Mendonça. A medida gerou uma crise institucional sem precedentes na cúpula do judiciário brasileiro.
A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do documento. O órgão argumenta que a investigação avançou irregularmente sobre um ministro da corte sem a devida comunicação ao plenário.
Entenda o caso
O material divulgado reúne dezenas de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e destinadas a Alexandre de Moraes. Os textos sugerem proximidade e mencionam contratos e operações iminentes.
Em sua defesa, Moraes classificou o relatório como inconstitucional e ilegal, negando qualquer irregularidade em sua conduta perante as acusações levantadas no processo.
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